segunda-feira, 27 de abril de 2015

Menino de rua

Relembro os dias em que minha professora dizia: Que lindo! Era para tudo que fazia só para me manter motivado e não me ver chorando querendo a mamãe. Se naquela época ela falasse "não gostei", seria o fim do mundo para mim, talvez passasse um mês emburrado, mas a "gente cresce", não é verdade? Naquela época era um tal de falar "to de mau" para qualquer coisinha e me orgulhar por nunca mais "dar ideia". Cresci forte e briguento, se o mundo era mau, eu era pior, uma filosofia de vida que deu certo para o menino de rua, que carecia impor-se. O tempo passou e tornei-me o oposto do que tinha sido, a infância sem pai e as ruas fortaleceram-me e me deram uma ideia daquilo que não queria para minha vida e de meus filhos. Busquei preparo prático em tudo que pudesse me qualificar a socorrer os mais fracos e necessitados, minha bandeira era: Lutar até os cordeiros tornarem-se leões, por este motivo tornei-me “tira”. Hoje não há mais lutas externas, as hierarquias espirituais transferiram os fogos fricativos para o interno do homem facultando-lhe novos horizontes. Percebo que as crianças de hoje já nascem com o DNA incorporado ao que é mais interno, principalmente se ela vem de linhagem de seres que já tinham um “histórico” favorável. Hoje querer motivar uma criança dizendo: Que lindo! É a mesma coisa que dizer: Me ensina. São estas crianças de hoje que transformarão para melhor a face da terra. Olho para a postura da minha neta de quatro anos, para minha filha de dez e meu coração tem a certeza de dias de sol

Pingos De Luz