segunda-feira, 22 de abril de 2013

Vidas de retalhos- Retalhos de vida

  Em uma ocasião assisti ao assassinato de um pato, cortaram a cabeça dele, mas a ave não morreu de imediato correu pelo terreiro por bom tempo sem a cabeça e sem direção, tropeçando e batendo de encontro aos obstáculos, até que esgotado e sem forças caiu ao chão imóvel. Imaginem o efeito desta cena na cabeça de uma criança, que sempre considerou a matança de animais algo tão abominável, quanto se tirar a vida de um ser humano.

 

retalhos de vida

Vidas em retalhos

 Nunca comi carne  Nasci com aversão à ‘carne’, recordo das vezes que minha mãe me batia para comer e até enfiava aquilo a força na minha boca, porém assim que ela se distraia, eu cuspia tudo aquilo fora. Podia até me espancar que eu não comia, e olha que minha mãe sempre foi muito brava, com ela era na base dos tapas mesmo, enquanto meu pai punha de castigo, minha mãe batia, fosse com a mão, ou com a vara que sempre estava de prontidão em algum canto da casa. Eu também não aliviava e dava uma canseira nela, quanto mais eu apanhava, mais eu fazia de forte, não chorava mesmo e ainda revoltado falava pra ela me bater mais pois tinha sido pouco, eu merecia muito mais ainda.  Em uma ocasião assisti ao assassinato de um pato, cortaram a cabeça dele, mas a ave não morreu de imediato correu pelo terreiro por bom tempo sem a cabeça e sem direção, tropeçando e batendo de encontro aos obstáculos, até que esgotado e sem forças caiu ao chão imóvel. Imaginem o efeito desta cena na cabeça de uma criança, que sempre considerou a matança de animais algo tão abominável, quanto se tirar a vida de um ser humano. Por ocasião do crime contra o pato e por pura insanidade dos presentes ao fato, fui acusado de ter protagonizado a cena, pois,  por 'ter tido dó bicho' ele demorou a morrer. Não conseguia imaginar como as pessoas conseguiam ter prazer em comer uma coisa que tinha trago tanto sofrimento a uma criatura de Deus. Me perguntava quando via meus familiares comendo carne, como as pessoas conseguiam ser tão sanguinárias, tão 16  insensíveis ao sofrimento. Achava um absurdo sem tamanho as pessoas reclamarem de suas dores , pedindo a Deus misericórdia, sendo que elas próprias não tinham, nem com os animais, nem com seus semelhantes, onde estava o mérito para tal pedido? Que mundo tão estranho era esse em que me encontrava, qualquer coisa com um ser humano era uma tempestade tremenda, mas com os animais tudo era permitido. A mãe de meu pai morava num bairro em Belo Horizonte que chamavam de ‘matadouro’, detestava ir lá, o ar era fétido e cheirava a morte, a crime, a assassinato, mas para todos parecia que o cheiro da carniça, era perfume. Nos ‘crematórios’, as pessoas faziam festa, para queimar carne, muitas vezes pingando sangue, tudo isso me confundia, porque meu Deus, eu dizia, porque tanta necessidade de derramamento de sangue, que ser humano era esse? Em meu silêncio por ocasião da morte do meu pai, um dos questionamentos com Deus, era porque que ele havia construído um ser assim. Ao meu ver, o ser humano é muito pior que os animais, meu cachorro era muito melhor. Não conseguia compreender porque que Deus deu tanto poder a um ser que era tão perverso, tão mal, chegava mesmo a me perguntar se Deus era mau. Em qualquer lugar que eu chegasse bastava dizer que não comia carne, para as pessoas ficarem me olhando, com pensamentos evidentemente reprovadores, isso quando um mais engraçadinho não se prontificava a fazer uma piadinha, para justificar os seus homicídios.  Eu respeitava a vida, era considerado o desajustado e ouvia constantemente expressões como:  'nossa, mas que menino estranho', 'ele é doente'. Eu falava com meus botões, Maria Santíssima defendei-me, 17  mas log depois eu mesmo me questionava, será meu Deus, que sua mãe também comia carne? Poderá existir Santidade em quem come carne? A raiz sanguinária estava tão enraizada, que até o Padre que eu admirava, falava, que ‘comia a carne de Cristo e bebia o seu sangue’. Era algo tão inacessível para minha mente de criança, que eu deixei de ser Coroinha para não ter que participar mais de tamanha carnificina. Mesmo sendo uma criança silenciosa, já era considerado estranho, imaginem se eu fosse abrir a minha boca, pra falar tudo que eu de fato pensava. No exército eu trocava o meu pedaço de carne com os colegas por qualquer outra coisa, nos tempos de polícia fazia a mesma coisa,  nasci vegetariano e permaneci assim até os dias de hoje, sendo uma prova viva de que a carne não faz falta ao organismo humano. O que foi algo causado por aversão minha, hoje é uma convicção, embora a minha visão hoje sobre o assunto seja bem mais ampla.

Retirado do livro vidas de retalhoshttps://www.clubedeautores.com.br/book/144324--Vidas_de_Retalhos

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